Quando eu voltar…

Sinto muito, mas eu hei de partir
Sabes que não sou de ficar, então eu tenho de ir
Até acho que me demorei demais por aqui
Talvez tenha sido por causa de ti

Por um tempo fiz de ti meu sol
Fiz da tua casa minha morada
Quis-te por perto, minha namorada
Mas agora me vou

Acredite-me pequena, não faço por mal
Mas ficar tanto assim, para mim não é normal
Minha sina é andar, caminhar por aí
Mas nada impede que eu um dia volte aqui

Preste-me bastante atenção
Estou partindo, mas não é para sempre, não
Deixo contigo o meu coração
E logo venho resolver nossa questão

E quando eu voltar
Espere-me no portão
Chegarei com um sorriso nos lábios
E rosas na mão

De destino selado
Um beijo, um abraço
Por segundos demorados
Minha eternidade estará ao seu lado

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Foi sim…

Eu te senti. À fúria incontrolável dos teus lábios, cedi. Com lágrimas nos olhos e sem muito pensar, pouco a pouco me deixei levar. Perdi-me ao te encontrar. Como em um grande clichê de romance barato que aspira tornar-se épico. Remoendo dramas, entre soluços e declarações. O temor da perda. A inocência da conquista. Dois corações. Eu gostei dos teus olhos. Gostei de vê-los olhando pra mim, fixos em mim. Como se me lessem. Como se vissem o que há por dentro. Como se passassem além corpo, percorressem a alma, mas a procura do que? Eu não sei. Só sei que eu te senti. Busquei a ti e vieste a mim. De peito aberto, sem pré-requisitos a serem cumpridos. Puros. Prontos. Amando mesmo que o amanhã nos reservasse um iminente fim. Foi sim.

Eu não sei, não!

Eu não escrevo mais, não sem o pretexto da obrigação. Não tenho mais tempo para a livre e espontânea vontade. Tenho abandonado a minha liberdade. De expressão ou vocação, daquilo ou disso, já não entendo, não. Já não me entendo mais. Sou somente aquilo que tenho de ser, sem personalidade, sem eu, individual ou lírico, sem mim. E o resto se desfaz. Sem nós, por que não (?), matou-se a voz, congelou-se o coração. A poesia se perde junto à inspiração. Sei não. A prosa não quer mais conversa comigo, nem com os dedos e nem com os pensamentos. Sei não. A crônica perdeu seu efeito. Sei não. Adeus! digo aos sonetos, que de perfeitos restam agora em solidão. Sei não e por não saber mantenho-me calado. Sem consentir, porém, com as afirmações que venham se impor como minhas ou a meu respeito. Se desta boca não se proferir, então, estás a mentir. E tenho dito!